
Ouvi o que estavam dizendo ali naquela sala e ver Celeste naquele estado me deixaram confusa e como se o ar ficasse quente, pesado e dificultasse a respiração...
Senti a sala girar, e ouvia um turbilhão de vozes rondando a minha cabeça... fiquei neste êxtase sem saber por quanto tempo, só saí deste transe quando Armand me chamou algumas vezes e segurou meus ombros..
Ao retomar a consciência ainda que turva eu olhasse para Celeste e segurei suas mãos. ela suava e sua testa parecia febril..ela então pareceu adormecer..e marius a levou para os aposentos em seus braços.
Armand abraçou-me e depois de alguns minutos no silêncio da morte eu perguntei:
-Existe algum modo de curá-la?
De ajudá-la?
Armand olhou para mim e abaixou os olhos, sua boca fez um gesto de desmaio e disse bem baixo num tom que nenhum humano abraçado a nós dois teria ouvido.
-Não sabemos!
Marius tem procurado por todos os cantos uma maneira de ajudá-la, mas até agora nada.
Curandeiros, médicos, alquimistas... parece que nenhum deles tem a cura para o mal de Celeste.
-Sinto-me responsável, culpada até.
-Não! Você não tem culpa de nada.
Como poderia?
-Eu a deixei sozinha e corri pelo mundo buscando respostas que nunca tive, fazendo escolhas que achava que eu poderia ter tido, quando na verdade eu sabia que tive a maior das escolhas, a de viver para sempre, e eu a aceitei...
-Stelle, por favor! Pare.
Não tem nada haver com você isso meu bem.
Não foi sua culpa.
Olhei para Armand... peguei a minha capa que estava esquecida no aparador ao lado da janela e disse a ele amarrando-a.
-Fui egoísta e prepotente, achando que eu poderia encontrar as respostas que eu não conhecia.
Celeste nunca abandonou um filho dela, sempre se doou os todos... sem pedir nada de volta.
Eu ao contrário dela sempre pensei em mim, as minhas vontades, as minhas necessidades sempre foram para mim maiores que as do demais.
Nunca me importei com o bem estar dos demais.
Chegou à hora de mudar isso tudo Armand...
Armand assustado e com a testa franzida como se não entendesse o que eu dizia me indagou:
-O que você está fazendo Stelle?
O que você está pensando em fazer?
-Vou à busca da cura para Celeste, irei até o fim do mundo.
Baterei até na porta do inferno se assim for necessário para achar a cura para Celeste, mas a mãe dos vampiros não sucumbirá... isso eu prometo.
Armand tentou me segurar, mas eu parti da sala o deixando na escuridão... Olhei para trás e pude ver seu vulto nas janelas me procurando com sua visão aguçada no escuro...mas eu não me deixei ser vista..
Parti para o velho e estranho mundo...
Por noites vaguei entre casas e cemitérios, todos os lugares que eu poderia imaginar achar alguém que pudesse reverter à condição de Celeste.
O tempo passava e pela primeira vez eu corria contra ele. algo inimaginável para um vampiro que é senhor da noite e do tempo.
Achei diversas outras coisas, das mais simples as mais estranhas... mas alguém que pudesse ajuda-la? Não! Isso eu não encontrei.
Já estava sendo vencida pela angustia e o medo, foi quando um outro vampiro me encontrou naquela viela escura e deserta em Barcelona.
Continua no próximo post.
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