
Ouvir as palavras de Nichay me fizeram ter a sensação de ter recebido um soco muito forte no estômago.
Como ela poderia ter feito a ferida incuravel em Celeste e porque ela havia feito isso? um turbilhão de novas perguntas me invadiam sem que eu tivesse controle sobre elas.
Caminhei para trás me afastando de Morrigan e então minhas costas encontraram o amparo de uma parede onde parei e fiquei olhando para o rosto de boneca diabólica que era Nichay.
Ela então levantou os olhos e o vento teimava em fazer com que fios dos longos cabelos vermelhos dela pendessem sobre sua face.
Parecendo assim milhares de vasinhos e veias recebendo sangue..Oh Deus! onde estava a minha mente naquela hora?
Porque tamanhas visões de anjos, santos e demônios agora habitavam meu imaginario? Então a voz daquela vampira me trouxe a realidade.
- Tudo que eu queria era que Armand tomasse para si as rédeas de nossa casa.
Entenda-me Stelle, nasci, fui criada para o mundo nas trevas conhecendo o teatro em Veneza como a minha casa e vocês como a minha família, Armand como um irmão mais velho, Marius e Celeste como os pais, e você com sua tempestade nos olhos uma irmã rebelde que sempre queria buscar mais e mais, que nunca se contentava com o que já tinha, queria sempre mais.
Olhei para ela e sentia meu rosto queimando como se atingida por bofetadas...e num ato de me defender eu disse:
-Não era assim.
Nichay olhou para mim e pela primeira vez vi o fogo de uma raiva contida explodir em seus verdes olhos.
-Não, você não era assim Stelle d' Rousseloth, não...Você não era, você é assim. Nunca está satisfeita com a atenção que recebe, nunca está satisfeita com o amor que receber, sempre quer mais, sempre deseja mais e isso te faz inconsequente, mimada e voluntariosa.
Em algum momento passou pela sua cabeça o inferno que o castelo virou após sua intepestiva fuga? Han? parou para pensar no sofrimento de Armand, no desapontamento de Celeste? não!
você nunca pensou em ninguém além de você...
-Eu só queria resposta para o que me consumia Morrigan..
Nichay avançou sobre mim e segurando meu queixo fortemente disse-me cravando suas afiadas unhas em minha carne.
-Pro inferno com sua busca por respostas..que resposta você queria? e onde as pensava que acharia?
Por um acaso achou que encontraria o Diabo em pessoa e ele te convidaria para um chá na sala principal do inferno? e te revelaria o significado da exitência? Ora por favor Stelle.
Você não se incomodou com nenhum de nós, nem com Armand que você dizia tanto amar.
Agora volta como a esposa arrependida, a filha amantíssima pronta para salvar o castelo da derrocada final?
Não há mais castelo Stelle, não há mais teatro, logo após a sua fuga voltamos para Veneza, e fomos expulsos do castelo.
-Expulsos? como expulsos? eu já reencontrei com Armand, Celeste e Marius...ninguém me disse
Nichay me interrompendo falou:
-Ninguém te contou o que? que fomos expulsos de nossa casa por uma armação? pela traição de outro da nossa espécie?
- Traição? quem traiu os mestres do castelo? quem traiu Celeste causando aquela ferida horrenda? quem seria tão baixo além de Lestat para fazer algo do tipo?
Morrigan aproximou sua face do meu rosto, e quando seus cílios quase tocaram a minha pele ela disse:
-Eu.
continua no próximo post
Um comentário:
Eae!
Adorei a volta da Morrigan, muito boa essa personagem ruiva da Be hehe
Uma das falas dela pra Stelle me lembrou Memnoch. A Stelle inclusive me lembra um pouco o Lestat nesse livro... Ele vive em busca de respostas também, muito mais do que o Louis, e o Armand enlouquece, muito bom! :)
Postar um comentário