
Deserré agora caminhava tranquilamente pelo espeço restrito da cabine que nos encontravámos..
Parou perto da janela e começou a tirar as luvas que ela usava até então...
Olhou para mim com seus olhos cinza, incrivél como ela agora estava mais parecida com Lestat do que a última vez que a tinha visto.
Até os gestos, o sorriso irritante nos lábios, os movimentos de uma felina agora milimétricamente ensaiados.
Era óbvio que ela ainda estava com Lestat, isso sempre a diferenciou de mim e a aproximou de Celeste, ela jamais iria abandonar o vampiro que ela amava..Tão diferente do que eu havia feito com Armand.
Então as palavras dela quebraram meus pensamentos:
-Acha mesmo que eu não abandonaria Lestat?
Olhei para ela e pude perceber que as décadas longe dela tinham dado a Deserre não só um ar de superioridade, mas ela de fato havia desenvolvido seus sentidos de vampira..Ela agora podia ler mentes como eu.
Não pude deixar de me assustar, e logo imaginar o que ela deveria ter arrancado dos humanos que cruzavam seu caminho por todo este tempo.
Induzindo-os a fazer tudo o que ela queria.
- Não deixaria Lestat como você fez com Armand, pelo fato que sou parte dele, o sangue dele é o que corre em minhas veias..
-Sangue?
É veneno o que corre em tuas veias..Seria mais apropriado dizer..
Lestat tem veneno em suas entranhas e foi isso que ele te deu quando bebeu todos seu sangue e te devolveu em forma de imortalidade.
-Veneno?
Deserre falou com um tom desafiador porém calmo..
-Você não é tão diferente de mim Stelle.
O mesmo veneno que corre em mim corre em ti, afinal...Como diria Armand com seu jeito poético: Nossos beijos são fatais..
Deserre sorriu..e voltou a caminhar na cabine, até sentar-se na cadeira que tinha ali.
-Stelle, Stelle!
Você voltou bem mais parecida com Louis que poderia supor..
Lestat sempre me disse que ele era um vampiro chorão, lamentando a beleza da noite..Agora eu vejo que você está como ele.
Um imortal que só falta ter pena dos humanos..Não está se alimentando de ratos e galinhas como ele..ou está?
A minha vontade era de pega-la pelo pescoço e joga-la para fora do trem, com sorte a sua cabeça se separaria do corpo e seria o fim dela.
Mas logo fui tomada pela visão do Demônio saindo do inferno e vindo socorrer Deserre, pegando sua cabeça e a recolocando no lugar...um monte de imagens sem nexo invadiram a minha mente...
Deserre ali à minha frente falava algo, mas eu estava tão envolvida no que via que não ouvi uma palavra sequer.
Ela então caminhou até mim e segurando meus ombros disse:
-Celeste e os outros mestres estão em Kitie.
As palavras dela me trouxeram de volta.
E eu olhando para ela perguntei:
-Kitie?
-Sim!
Mas acho que eles não vão querer ve-la Stelle...
-Todos eles estão lá?
- Não sei! mas Celeste sim.
Procura-los seria um erro Stelle, e por isso estoua aqui..
Lestat me enviou para pedi-la que nos acompanhe, que retorne para Veneza para o castelo, que você possa ao nosso lado reerguer o Teatro dos Vampiros, e tudo voltará a ser como antes.
Antes que ela pudesse continuar a falar aquelas sandices eu a fiz parar de falar:
-Me unir à vocês?
Vocês querem que eu abandone os meus mestres, que deixe de lado tudo que eu sou e me una à vocês dois?
Me torne suja, baixa, vil...um demônio como ambos? É isso?
Os olhos dela agora ardiam e ela disse:
-Você já os deixou há muito tempo Stelle.
Deixou-os quando fugiu com Louis e Armand a procurou por noites até se dá conta que você jamais voltaria.
Você não é tão diferente de Lestat quando quer parecer ser.
Nos encaramos e Petrus entrou na cabine...
Continua no proximo post.
Um comentário:
Uhuuu!
Adorei o post!
Ficou bom demais! hehe
Beijos
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